Leia se tiver estômago

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Você não é especial (ou Ódio próprio)

O que vou dizer é bem triste
E isso é até um perigo.
À verdade você resiste,
O mundo não é seu umbigo.

Você não é especial!
Você não é especial!

Por mais que tenha dinheiro,
Mansão e carro importado,
Isso tudo não.vai te fazer
Alguém que seja respeitado.

Você não é especial
Você não é especial

Pode se olhar no espelho
E ver essa dura verdade.
Você não passa disso mesmo:
Pária da sociedade.

Você não é especial!
Você não é especial!

Pode salvar todo mundo
E doar tudo pros pobres,
No fim vai pro mesmo buraco,
Mesmo sendo tão nobre.

Você não é especial!
Você não é especial!

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Soneto de inutilidade

Não somos nada além do pó
Que não foi cheirado.
Sem importância até mesmo
Para um qualquer, viciado.

Somos puro desperdício
De tempo, sonhos e espaço,
Sem importância suficiente
Para construir qualquer um laço.

Não temos para que ser
A não ser estorvar
Aqueles que nos rodeiam.

E mesmo sem nada fazer,
Mesmo sem nos esforçar,
Ainda assim nos odeiam.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Malz aê

Desculpa meu jeito egoísta
E por sempre sumir sem dar pista.
Desculpa se trilho sozinho,
Se sigo o meu próprio caminho.
Desculpa se tua risada
Já não vem com minha piada.
Desculpa meu pragmatismo:
Por ele, mereço ostracismo.
Desculpa por não me entregar,
Por não me faltar mais o ar.
Desculpa pelo teu choro
Quando eu quebrei o decoro.
Desculpa por minha alma ser livre
E não mais suportar qualquer crise.
Desculpa pelo tédio prematuro
E por não me sentir inseguro.

Sei que não mereço perdão
Que sou tolo e sem-coração,
Que tenho o rei na barriga,
Que abro, nos outros, ferida.

Entendo bem qual o meu fatum
Quando acabar o teatro,
Quando for de todo esquecido,
Quando não me restar mais abrigo.

Só quero não ser tua chaga,
Por que a consciência paga,
Por que percas a doçura,
Por que não tenha mais cura.

Não deves se fechar por minha causa,
Cortando, da vida, as asas,
Evitando qualquer abertura,

Apodrecendo a fruta madura.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Quem é vivo, sempre aparece (ou Angústia)

Essa sede que sinto
Que nada acalma.
É verdade, não minto,
Ela assalta a minha alma

Sou cria de uma lei
Que me impele a ser o primeiro.
Influência de vocês,
Todo o tempo, janeiro a janeiro.

Essa raiva contida
No fundo do peito.
Mais uma ferida
É claro, não tenho mais jeito.

Não aceito outro posto
Que não seja estar na frente.
Se não estiver no topo
Se bagunça, a minha mente.

Esse nó na garganta
Que não se desata.
A angústia é tanta
Minha vida ela arrebata.

Já não sei mais o que desejo
E não vejo por que insistir.
Perspectiva não vejo
É melhor terminar por aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Pirata

Pirata dos sonhos,
Cara de pau.
Olhar de gancho,
Riso de mal.

O mal começa aqui
Numa parte de mim
Que não se encerra.
Em minha seleta
Pétrea semente.

Fênix que renasce.
Cheiro de cinzas;
Resto do calor
Entre o medo
E o ódio.

Nasci para o mal,
Não posso negar.
A luz me irrita.
Silencioso ruir
Da alma quieta.

As rugas, cicatrizes
E até as bermudas.
As blusas, camisas,
Perfume das meretrizes.
Irrompe a primavera.

Saco que se enche
Cospe fora o rubor.
Peito que arde
Não demonstra
Nem exige
Teu valor!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Defenestre teu achismo

Por que me queres verme?
Afundado sempre na merda,
De uma cagada, o cerne,
A lamentar minha perda.

Por que não me acreditas
Que estou a sentir bem,
Pois tenho o cobre das biritas
E não dependo mais de niguém?

Por que as numerosas críticas
Sobre deitar-me com quem posso?
Se são questões biológicas
De instinto, que sabes, é nosso.

Acaso acreditas mesmo
Que estou a viver de mentira,
Que levo meus dias a esmo,
Que falseio ao tocar minha lira?

Pois saibas que vivo meu sonho,
Levo tudo como quero e quis.
E apesar de ser medonho,
Talvez eu esteja feliz.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Pá de cal

"Toda flor que nasce
Nasce sem nome sem nada
Sem título algum
Nasce desemparada"

Entra na minha vida de zoeira.
Faz-me acreditar que posso.
Encanta-me com tua maneira.
Torna o que era meu, nosso.

Mostra-me que posso ser leve
E que não preciso estar armado.
Faz meu querer, ainda breve,
Ser, em minutos, despedaçado.

Sei que era só o princípio,
Que tudo tem um fim
Mesmo querendo que não.

Agora voltei a ser ímpio,
Pena que acabou assim.
Joga uma pá de cal no meu coração.