Leia se tiver estômago

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O homen e o rato

Era uma vez um rato
Que sofria de uma doença,
Se não tomasse o veneno
Ele mudava sua crença.

Então tornava-se homem
Desesperado pelo veneno,
Pra poder voltar a ser rato
Em seu mundo pequeno.

Era uma vez um homem
Que não brigava por nada,
Mas pra tomar seu veneno
Topava qualquer parada.

Então tornava-se rato,
Num mundo grandioso.
Tomava o seu veneno,
Voltava a homem de novo.

Era uma vez um veneno
Que descansava na prateleira,
Por ele homens e ratos
Faziam muita besteira.

Então tornava-se álcool
Que descia pelo pescoço.
Levava homens e ratos
Para o fundo do poço.


domingo, 28 de setembro de 2014

Aquelas Coxas de Mil Guerras


Num vale montanhoso ao norte
Existe uma linda cachoeira
Cachoeira de muita sorte
Não me deixem dizer besteira

É lá que se banha a sereia
Exuberante e de espírito algoz
Se alheado a sua teia
Teu destino será a foz

Mergulha por lá também
Pernas lindas de uma mulher
Capazes de pirar um homem
Só de na água mexer

Pode ser que lá encontre
Uma flor rara e má
Seu perfume viciante
Um homem pode matar

Espere pelo por do sol
De beleza indescritível
Se for sua intenção
Ver a imagem inesquecível

Ascenda um fogaréu
E prepare-se para noitada
Aproveite e aprecie o céu
Que a noite será agitada

À noite você verá as coxas
Antes da coruja piar
Ela costuma atacar trouxas
Que se encontram por lá

Coxas que sujas de terra
Podem tudo transpor
E venceriam mil guerras
Sem precisar de amor

----Se você conseguir mais
Volte para me contar
Porque eu já estou atrás
Não posso mais me salvar

Se você conseguir mais
Volte para me guiar
Porque eu não sei como faz
Sem antes me apaixonar---

Um Copo de Bosta

Me sentei a maquina de escrever e tirei meu relógio
O tempo não era mais necessário naquele momento
Aos poucos eu fui me enchendo de sofrimento
Pronto, eu estava então preparado, ávido à escrita
Mas escrever o que? Vinha passando por dias ruins
Andava matando um à um meus sonhos de infância

Eu me sentia como se fosse um copo de bosta!
Um grande e insignificante COPO DE BOSTA!

Minha vida agora se afunilava em um túnel
Nele eu via passando aqueles desejos e sonhos
Todos escorriam água a baixo, e eu ia com eles
Torcendo pra me afogar e chegar logo no fim
Não, eu nem precisava me esforçar pra ter ar
E a luz? Sempre ouvi dizer que no fim havia uma luz

No fim do meu túnel, só tinha um copo de bosta!
Um grande e insignificante COPO DE BOSTA!

Havia parado de beber, tomava muitos remédios
Sentia dores no peito devido aos cigarros em excesso
Tinha problemas com o trabalho, chamava-o assim
Perdendo tanto tempo naquela vida sem diversão,
Sem magia, procrastinando a verdadeira felicidade
Aquela vida estava me matando, me transformando

Em um copo de bosta, e eu nem podia feder...
Um grande e insignificante COPO DE BOSTA!

Logo eu me irritei, abri o frasco de remédios,
Contei as capsulas, 15, era o meu número da sorte
Amaldiçoei primeiro o médico, depois a doença,
Jurei então que antes de qualquer médico
Daria o auto diagnóstico e também o tratamento
Que seria, óbvio, álcool e muita promiscuidade

Preencheria o mais breve possível, o copo com álcool
Meu velho amigo, o grande e imbebível COPO COM ÁLCOOL!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Eu e o relacionamento sério!

Vou pro bar de segunda à segunda
Sábado e domingo têm frango assado
E de segunda à sexta só fracassado
Não vejo problemas em tê-los comigo

Quando bebo sozinho não vejo perigo
Pelo nome, eu chamo o garçom
E peço logo conhaque com limão
Ele pergunta meu nome e olha na lista

Eu gosto de beber e pagar à vista
São tantos bares quantos dedos da mão
Peço sem gelo pra tomar no balcão
Não cansei de ouvir: Vá pra casa amigo!

Mas é só no do bar que encontro abrigo
Alguns botecos não me vendem mais
Dizem-me: -"não meu amigo, você bebe demais"
E n'outro dia eu sei bem o que fazer

Procurar outro bar, pra poder beber
Tentar beber menos e não dar trabalho
Quiçá me enturmar e jogar baralho
Falar muito pouco, pra poder voltar...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Que vais fazer no bar?

Você não come carne de sol,
Você não come pururuca,
Você não fala de futebol,
Você não joga sinuca.

Se não tomas branquinha,
Quiçá um conhaque.
Não xinga a vizinha,
Boteco de araque.

Se não fala com o motorista
Ou toma uma São Francisco,
Come um virado à paulista,
Acho que estás em risco.

Acho que estás no lugar errado,
Acho que estás em mesquinho covil.
Acho que deves abraçar o diabo,
Deves ir à puta que pariu.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Olhos fechados, estou voltando!

Eu fui capaz de me reerguer
De me reinventar a cada dia
Eu fiz nascer criatividade
Eu era capaz e não sabia
Hoje eu me reinventei diferente
De um jeito que não queria
Fiz nascer em mim um pobre
Pra me encher de agonia
Preciso agora destruir-me
Pra matar a nostalgia
E poder ser forte outra vez
Tanto faz seja noite ou dia
Preciso esquentar a cama
Para espantar a noite fria
Esquentar o meu coração
Naquela tarde vazia
Preciso dos meus versos
Pra reviver minha poesia
Preciso deles agora.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Comicú

A angústia me assalta.
Uma carência irreprimível
Se apodera de minha alma.
Que sensação horrível!

Que saudade das tragadas.
Que falta sinto da juventude,
Das meninas despudoradas.
Ah! Agora vendo saúde!

Daquelas noites sombrias
em que vivia sem propósito
vagando pelas vias.
Saia, sentimento insólito!

Tantas vezes que acabei perdido
e não venci na caçada,
tornando-me, assim, maldito.
Ah, lembrança infundada!

E agora sou estável,
Mesmo que não pareça mais vivo.
Fiz-me um ser sustentável.
Oh, não! Estou permissivo!

Pelo menos hoje verso.
Pelo menos neste dia
E estou outra vez aberto.
Puta! Que porcaria!