Leia se tiver estômago

domingo, 28 de setembro de 2014

Um Copo de Bosta

Me sentei a maquina de escrever e tirei meu relógio
O tempo não era mais necessário naquele momento
Aos poucos eu fui me enchendo de sofrimento
Pronto, eu estava então preparado, ávido à escrita
Mas escrever o que? Vinha passando por dias ruins
Andava matando um à um meus sonhos de infância

Eu me sentia como se fosse um copo de bosta!
Um grande e insignificante COPO DE BOSTA!

Minha vida agora se afunilava em um túnel
Nele eu via passando aqueles desejos e sonhos
Todos escorriam água a baixo, e eu ia com eles
Torcendo pra me afogar e chegar logo no fim
Não, eu nem precisava me esforçar pra ter ar
E a luz? Sempre ouvi dizer que no fim havia uma luz

No fim do meu túnel, só tinha um copo de bosta!
Um grande e insignificante COPO DE BOSTA!

Havia parado de beber, tomava muitos remédios
Sentia dores no peito devido aos cigarros em excesso
Tinha problemas com o trabalho, chamava-o assim
Perdendo tanto tempo naquela vida sem diversão,
Sem magia, procrastinando a verdadeira felicidade
Aquela vida estava me matando, me transformando

Em um copo de bosta, e eu nem podia feder...
Um grande e insignificante COPO DE BOSTA!

Logo eu me irritei, abri o frasco de remédios,
Contei as capsulas, 15, era o meu número da sorte
Amaldiçoei primeiro o médico, depois a doença,
Jurei então que antes de qualquer médico
Daria o auto diagnóstico e também o tratamento
Que seria, óbvio, álcool e muita promiscuidade

Preencheria o mais breve possível, o copo com álcool
Meu velho amigo, o grande e imbebível COPO COM ÁLCOOL!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Eu e o relacionamento sério!

Vou pro bar de segunda à segunda
Sábado e domingo têm frango assado
E de segunda à sexta só fracassado
Não vejo problemas em tê-los comigo

Quando bebo sozinho não vejo perigo
Pelo nome, eu chamo o garçom
E peço logo conhaque com limão
Ele pergunta meu nome e olha na lista

Eu gosto de beber e pagar à vista
São tantos bares quantos dedos da mão
Peço sem gelo pra tomar no balcão
Não cansei de ouvir: Vá pra casa amigo!

Mas é só no do bar que encontro abrigo
Alguns botecos não me vendem mais
Dizem-me: -"não meu amigo, você bebe demais"
E n'outro dia eu sei bem o que fazer

Procurar outro bar, pra poder beber
Tentar beber menos e não dar trabalho
Quiçá me enturmar e jogar baralho
Falar muito pouco, pra poder voltar...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Que vais fazer no bar?

Você não come carne de sol,
Você não come pururuca,
Você não fala de futebol,
Você não joga sinuca.

Se não tomas branquinha,
Quiçá um conhaque.
Não xinga a vizinha,
Boteco de araque.

Se não fala com o motorista
Ou toma uma São Francisco,
Come um virado à paulista,
Acho que estás em risco.

Acho que estás no lugar errado,
Acho que estás em mesquinho covil.
Acho que deves abraçar o diabo,
Deves ir à puta que pariu.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Olhos fechados, estou voltando!

Eu fui capaz de me reerguer
De me reinventar a cada dia
Eu fiz nascer criatividade
Eu era capaz e não sabia
Hoje eu me reinventei diferente
De um jeito que não queria
Fiz nascer em mim um pobre
Pra me encher de agonia
Preciso agora destruir-me
Pra matar a nostalgia
E poder ser forte outra vez
Tanto faz seja noite ou dia
Preciso esquentar a cama
Para espantar a noite fria
Esquentar o meu coração
Naquela tarde vazia
Preciso dos meus versos
Pra reviver minha poesia
Preciso deles agora.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Comicú

A angústia me assalta.
Uma carência irreprimível
Se apodera de minha alma.
Que sensação horrível!

Que saudade das tragadas.
Que falta sinto da juventude,
Das meninas despudoradas.
Ah! Agora vendo saúde!

Daquelas noites sombrias
em que vivia sem propósito
vagando pelas vias.
Saia, sentimento insólito!

Tantas vezes que acabei perdido
e não venci na caçada,
tornando-me, assim, maldito.
Ah, lembrança infundada!

E agora sou estável,
Mesmo que não pareça mais vivo.
Fiz-me um ser sustentável.
Oh, não! Estou permissivo!

Pelo menos hoje verso.
Pelo menos neste dia
E estou outra vez aberto.
Puta! Que porcaria!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"Feliz ano novo de cu, é rola"

Tais palavras nunca fizeram tanto sentido.

Você está desejando que meu "ano novo" seja feliz? Está dizendo que o seu ano novo será feliz? Está dizendo que meu ano será feliz queira eu ou não? AH! VÁ PRO CARALHO!
O que é felicidade, bonitão? Comprar o carro do ano? Ser invejado por seus "amigos"? Abrir uma zona?
E você, bonitona? Qual a boa? Perder uns quilos aqui e descolar um casório ali? Achar aquele vestido branco lindo pra passar a virada com os amigos-para-a-vida-toda que vão embora ao primeiro sinal de crise?
Mergulhem num poço de bosta antes de virem me desejar "um bom ano". Não sou eu que decidiu contar quantas voltas a Terra dá ao redor do Sol, nem, tampouco, quantas vezes ela dá a volta em si mesma e subdividir e subdividir e subdividir até que possam controlar o que fazemos em um 31.536.000 de volta ao redor do Sol. Que inveja dos "animais"! Acorda, caça, come, dorme, acorda, caça, come, dorme! E no que mais se baseia a vida humana? É tudo para isso! Somos todos animais, sem sentido nenhum para seguir.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Domesticar

Eu vou contar uma história
A mais triste que eu posso lembrar
Levo em minha memória
O vira-latas que quis se domesticar

Ele era normal
Se contentava com os restos e um osso
Sempre viveu igual
Ele cagava para a opinião dos outros

Mas depois uma treta
com um outro de porte maior
Lhe pegaram na vendetta
E dessa vez ele levou a pior

Foi resgatado por uma ong
Dessas que tratam de bicho ferido
Lhe curaram as chagas
E colocaram um perfume fedido

Ele ficou exposto
Em uma feira de adoção
E vejam só que desgosto
Queria ser de estimação

reticências